Este blog tem como objetivo levar o leitor a uma reflexão mais ampla sobre si e sobre o mundo, ajudando na amplitude da dimensão do ser e do viver.
terça-feira, 6 de agosto de 2019
sábado, 3 de outubro de 2015
CD SUPERAÇÃO - Pe.Jesus Aguiar
Padre Jesus Aguiar, presbítero da Diocese de Lins, ordenado no dia 12/01/2013. Seu lema é "o amor lança fora todo medo" (1 Jo 4,18). É Vigário na Paróquia Santa Luzia em Promissão,SP. Acompanhou a RCC da Diocese como diretor espiritual. Formado em Informática pela UNILINS (2005), Filosofia pelo CLARETIANO (2008), Teologia pela DEHONIANA/PUC-RJ (2012), Especialista em Filosofia Clínica pelo INSTITUTO PACKTER (2013) e Especialista em Psicologia e Sexualidade pela UNIARA (2015). Atualmente dedica-se no trabalho como Vigário e também com atendimentos de cura e libertação juntamente com o ministério "Age com poder". Em julho/2015 lançou seu primeiro CD, com 10 canções de sua autoria, 1 oração de cura interior e o terço da misericórdia. O CD possui estilo pop/rock e as canções possuem um teor kerigmático. Em julho/2016 lançou o livro "É o amor que Cura e Liberta - Sem Amor eu nada seria", voltado a cura interior.
Contato no site abaixo:
Marcadores:
cd superação,
Espiritualidade,
evangelização,
padre exorcista
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Desafios de uma Nova Evangelização
Pe.Jesus
Aguiar
Com o decorrer do tempo nós cristãos deixamos que o Kerígma –
primeiro anúncio sobre Jesus (Amor de Deus, Pecado e Salvação,
Senhorio de Jesus, Vinda do Espírito Santo, Fé, Comunidade, Maria),
fosse se esfriando dentro de nós. A ausência desse amor de Deus
anunciado e experienciado causa-nos um vazio em nosso sentido
existencial. Vemos hoje em nossa sociedade, escolas, jovens, famílias
a perda do sentido transcendental, que é responsável por elevar o
ser humano ao núcleo mais profundo de seu próprio ser.
Em nossas famílias muitos conceitos deformados foram entrando, e
isso gera dúvidas, incertezas e inseguranças. Quando falamos de
Jesus Cristo, estamos falando do amor eterno que se Revelou entre
nós e nos possibilitou encontrar o melhor de nós mesmo, a encontrar
sentido no mundo a partir da luz que o Senhor nos concede.
Encontramos na família muitas realidades desafiadoras, novas
estruturas foram-se formando ao longo do tempo, e nenhuma está
excluída da família de Cristo, mas convidadas a serem formadas e
iluminadas por Ele, para que encontrem sentido.
Precisamos nos afinar pela dimensão Kerigmática, apresentar Jesus
afim de que Ele se torne conhecido, e fazemos isso a partir da
missão. Missão é executar uma tarefa, nesse sentido somos
convidados a levar as pessoas a conhecerem esse homem-Deus que nos
trouxe a salvação.
Precisamos estar atentos a realidade do nosso tempo, enquanto
membros da Igreja nos abrir para acolher e sairmos em missão.
Crescemos pela força do amor. Nossos argumentos e testemunhos são
de suma importância para esta missão. Para isso dispomos da
liturgia, da catequese, pastorais e movimentos, que são meios para
irmos ao encontro das pessoas e das pessoas virem até Deus. Só pelo
fato de sairmos em missão, já somos transformados por ela.
Encontramos diversos grupos a serem evangelizados, fiéis
participantes da Igreja, os que receberam os sacramentos e não
fizeram uma experiência com Jesus, e outros que não o conheceram.
Dessa forma, precisamos ter paciência nessa missão de evangelizar,
para que haja frutos e num momento posterior festejarmos a alegria de
apresentar o Senhor que nos salva.
São muitos os que se encontram nas periferias existenciais e
geográficas, daí a importância de um crescimento humano sustentado
no amor de Deus através do Kerígma. Quando falamos em catequizar,
falamos de uma interação com a vida, tendo a Bíblia como livro
referencial.
Como mudar? Do pessoal para o coletivo, ou do coletivo para o
pessoal? Precisamos dialogar entre esses dois polos, não existe
cristianismo sem comunidade, daí a importância de nos organizarmos
em pequenos encontros, pequenas comunidades. Talvez precisamos
reduzir nossos excessos e trabalhos e priorizar as essencialidades de
cada realidade, e valorizarmos a importância da motivação e da
alegria fraterna.
Não podemos racionalizar o Kerígma, que é uma experiência do
amor de Deus, e não uma explicação sobre essa experiência. Para
isso nos dispomos da mistagogia (introduzir a pessoa ao Mistério de
Deus), e do desafio de uma nova linguagem, para que o Amor de Deus
Revelado em Jesus Cristo chegue aos corações. O encontro com Cristo
ocorre na Palavra, nos sacramentos, nas pessoas. Muitos de nossos
cansaços se referem a busca incansável e isolada por nós mesmos,
faz-se assim necessário um exame de consciência para nos
corrigirmos. Isso inclui uma unidade eclesial, clérigos e leigos. O
Testemunho concreto de Deus em nós, é uma fonte de transmissão de
valores em nossa sociedade atual.
Nosso desafio enquanto cristãos é tornar Jesus conhecido, e isso
se dá por meio do (encontro, kerígma e da missão). Nesse sentido,
Cristologia (estudo sobre Cristo) e eclesiologia (estudo sobre a
Igreja) se encontram, através da alteridade (Encarnação do Filho
de Deus) e da gratuidade (Mistério Pascal – paixão, morte e
ressurreição do Senhor). Jesus é aquele que faz a vontade do Pai,
Ele é a realização do Reino de Deus. Cristo se deixa encontrar,
mas da nossa parte temos que buscá-lo, através da nossa
inteligência e vontade. A Nova Evangelização consiste aí, numa
experiência de fé que é a experiência de Encontro com Cristo. No
Primeiro Testamento, Israel fez a experiência de ouvir o
Senhor, no Segundo Testamento, através da Encarnação do Verbo,
vimos o Senhor.
Assim, é importante entendermos o Evangelho e os Sacramentos, no
primeiro Deus nos fala, no segundo Deus faz através da Igreja. Há
importância muito grande em estabelecermos uma coerência entre a
Eucaristia e os Sofredores. Isso nos impulsiona a nos encontrarmos e
oferecermos a capacidade do encontro com os outros. Nossas formações
precisam estar pautadas no Kerígma, daí entendemos a importância
do Encontro com Cristo, esse desejo, essa atração no Mistério
Redentor, pois é uma forma de compreendermos a nossa missão
enquanto batizados que é levarmos Cristo ao outro. O anúncio do
Senhor que nos transforma é centralidade na iniciação à Vida
Cristã, porque nos leva a aderir àquilo que Jesus nos apresenta,
isso desperta o desejo de o encontrarmos, de sermos conduzidos por
sua Palavra, e nos motiva à leitura orante e a vivermos em
comunidade, motivando-nos ao serviço dos que sofrem.
A experiência da missão nos leva a sermos fascinados pelo Senhor,
conhecer e optar pelo Cristo, a buscar pela verdade contida em cada
ser humano através da fé pessoal que envolve a inteligência. As
escolas de animação bíblica, são caminhos para oferecerem esse
caminho de conhecimento da Palavra. Nas pequenas comunidades, são
lugares propícios para reflexões, assim entendemos que o Evangelho
da vida é o centro da vida de Jesus e também o nosso.
Enfim, a espiritualidade é o motor que nos motiva a essa nova
evangelização. Não podemos nos prender a ideia de buscar
resultados imediatos, mas precisamos semear, e não ter a pretensão
de atingir a todos, sem obsessão quantitativa, mas qualitativa.
Abandone-se no Senhor!
Texto elaborado de anotações da formação para o Clero na cidade
de Lins/SP, na Chácara dos irmãos do Sagrado Coração nos dias
01/09 e 02/09. Palestra ministrada pelo Monsenhor Antônio Luiz
Catelan Ferreira, assessor da Comissão para Doutrina da fé da CNBB,
sobre a Exortação Apostólica do Papa Francisco, Evangelii Gaudium
e sobre o documento 102 da CNBB, sobre as Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora da Igreja no Brasil 2015-2019.
Marcadores:
anúncio,
Encontro,
Experiência,
fé,
Jesus Cristo,
Kerígma,
Missão,
Sofredor
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Por falar de amor
Se o amor me leva a
adentrar a casa,
por um lado a dor me
leva a buscar a chave para sair.
Jesus Aguiar1
Vânia Dantas2
O amor é algo que talvez não possa ser definido, mas que tentamos
sentir ou demonstrar por meio de linguagens e gestos. São abraços,
palavras, sonhos, flores e presentes que veem em nome dele e que são
direcionados para a pessoa em que encontramos o destino, a fim de
entregar esse tesouro tão nobre que existe dentro de nós.
Amor que anestesia o tempo, rompe com a cronologia, instaura um tempo
eterno onde parece só existir o início, pois ele não termina
jamais. Emoções congeladas num sorriso; é o vencedor que serve. O
pensamento e a alma se unem e neste espaço sagrado criado e só a
pessoa amada nele permanece.
O amor exige uma exclusividade, talvez a nominemos de fidelidade.
Queremos um vínculo, uma entrega total entre o amado e a amada. As
estrelas são assim roubadas do céu e guardadas no interior do
coração, como bem poetizou o grupo Roupa Nova : “Te dou o meu
coração / Queria dar o mundo”.
O amor faz com que entreguemos o mundo e também nos entreguemos
totalmente ao coração escolhido, para assim nos derramarmos
totalmente.
No escrito bíblico (1 João 4,18), o autor sagrado decreta: “O
amor lança fora todo o medo”. Certamente esse amor humano, que
também é revestido de divindade, não teme as intempéries do tempo
presente porque elevou o coração amado a um lugar muito distante
das imperfeições e dos limites, numa dimensão salvífica.
Revestiu-lhe de proteção, deu-lhe esperança e o assegurou com a
segurança que só mesmo o amor pode oferecer.
O amor desvela o próprio núcleo do ser, volve de luz a pessoa
amada, e assim não há trevas que possam permanecer perante a sua
presença. Amadurece a inteligência, pois reluz a essência divina
de onde procede, e assim molda o humano à imagem e semelhança do
Eterno, fazendo com que sua própria inteligência eterna norteie os
corações de modo a levá-los a se importar apenas com aquilo que
não passa. O amor transpassa a matéria pois vê com outros olhos,
vê por dentro dos seres as intenções e os limites e tem compaixão
pela essência escondida em casa humilde.
O mundo sofre de uma carência, de um vazio. É a ausência do amor
que o deixa assim. O mundo necessita de essencialidade, e só o amor
pode iluminar tal fato. O coração humano quer amar e ser amado;
quando não o assumimos, vivemos o processo da nadificação,
existência fútil, estéril. É o indicativo de que precisa haver
uma recriação. Só o amor pode criar, porque ele é dinâmico, ele
é força, ele permite perscrutar os contrários para deles criar uma
dimensão unitiva/construtiva.
Quando o amor aflora, uma nova primavera se inicia: sol brilhando,
flores desabrochando, borboletas voando a anunciar que uma nova
estação vem; a alegria ocupa o lugar da tristeza, o amor ocupa o
espaço até então tomado pelo medo, a terra está fecunda, a vida
cresce.
Enfim, o amor faz o ciclo da vida circular, tudo se modifica, a
equidade emerge, os sons e a poesia dão brilho preparando o grande
protagonista que chega e que encanta a multidão que distante dele
caminhava, e que agora nele encontra o seu sentido de harmonia.
_____________________________
1Graduado
em Informática – Universidade de Lins, graduado em Filosofia –
Centro Universitário Claretiano, graduado em Teologia – Faculdade
Dehoniana -, Pós-graduado em Filosofia Clínica – Instituto
Packter -, Pós-graduando em Psicologia/Sexualidade – Uniara.
2Mestre
em História Social – Universidade Federal de Uberlândia - UFU,
Especialista em Filosofia Clínica - Instituto Packter, Licenciada
em Filosofia – UFU. E-mail: vaniamor@hotmail.com.
sexta-feira, 21 de março de 2014
RESSIGNIFICANDO O MUNDO
Vânia Dantas2
Nosso ser pessoa, além de contemplar aquilo que somos e fazemos,
implica também em nos colocar em relação com o mundo. Viver é
relacionar. É assim que vivemos, e nesta perspectiva ao longo do
existir vai corroborando nossa imagem que temos do mundo, das
pessoas, dos objetos que nos circundam.
No cotidiano temos várias imagens do mundo que nos são fornecidas
por meio das conversas, da abstração. Alguns representam o mundo
como lugar perdido, de pessoas sem uma direção, de um verdadeiro
caos no sentido humano. Outros esboçam imagens esperançosas, onde o
mundo é visto como belo, pessoas como solidárias, e a humanidade em
contínua modificação.
Tais símbolos que trazemos em nosso interior sobre o exterior são
meios também que influenciam diretamente nosso jeito de ser. Por
vezes, a impressão que temos daquilo que “é de fora”, acaba
sendo levado para nossa interioridade trazendo-nos uma verdadeira
“indigestão”, nos desestabilizando, provocando um “mal estar”.
Quando nos conscientizamos de tal realidade, é momento de
redirecionarmos o nosso posicionamento. Como diz um trecho da canção
(Por Enquanto, Renato Russo): “Mudaram as estações, nada mudou,
mas eu sei que alguma coisa aconteceu, ta tudo assim, tão
diferente...”. A vida nos proporciona novos motivos que nos fazem
esquecer realidades passadas e assim mudar o horizonte do nosso
poente.
Quais realidades que tem permeado seus dias? É chegado o momento de
se adequar a uma nova estação, assim como os ciclos do ano, nossa
vida também pede por transformações, abra-se a uma nova
realidade....
Há momentos em que a vida é submetida as regras de nosso tempo,
vida agitada, trânsito corrido, decisões a serem tomadas, questões
familiares a serem resolvidas. Parece que somos absorvidos pelo
stress de nossa hodiernidade. Certa vez Jung escreveu: “O
autoconhecimento de cada indivíduo, a volta do ser humano às suas
origens, ao seu próprio ser e à sua verdade individual e social,
eis o começo da cura da cegueira que domina o mundo de hoje”3.
São tantas e tantas situações que parecemos ser absorvidos pela
exterioridade, é como se o mundo nos pegasse de nosso interior e nos
colocasse em outro lugar, um lugar no qual nós não nos sentimos
bem, pois não é a nossa casa, não é o lugar de nossa intimidade.
E a partir daí, começamos a sofrer as nossas inadequações, nos
vem o medo, a insegurança, a tristeza, até mesmo algumas
enfermidades provenientes deste entristecimento por não estarmos no
lugar que gostaríamos. Numa outra citação, Jung diz: “Como
vemos, ambas as teorias [a de Freud e a de Adler] de que falamos tem
em comum o fato de desvendarem impiedosamente o lado sombrio do
homem. São teorias, ou melhor, hipóteses que nos explicam em que
consiste o fator que provocou a doença. Logo, tratam não dos
valores de uma pessoa, mas dos seus contravalores, que sempre
perturbam ao se manifestarem”4.
Ou seja, muitas vezes não sabemos gerenciar os nossos contrários,
aquilo que nos propõe um “desprazer”.
O lado ruim existe! Não dá pra ficar apenas jogando-o abaixo do
tapete, indefinidamente. Logo estaríamos vivendo sobre contêineres
de lixo.
A vida automática por vezes nos faz esquecer de nós mesmos, dos
nossos sonhos, das nossas qualidades, afinal fomos sequestrados do
lugar onde mais gostamos de estar, e é nessa conscientização, no
perceber que estamos aprisionados, que precisamos “bolar” um
plano para sair daquilo que aos poucos vai nos matando.
Sempre é tempo de recomeçar, mesmo na dor. É preciso olhar para o
lugar que nos rememora esperança e aí encontrar forças para
rompermos os grilhões que nos aprisionam, nos recompormos, e então
iniciarmos o processo de retorno para casa. Viver é sempre um
processo de voltarmos ao lugar onde somos refeitos, onde somos
novamente gerados na esperança, nos sonhos, na alegria. Esqueceu que
lugar é esse? Vamos cria-lo na mente, vamos eleger o melhor para si
mesmo; precisamos de modelos de bem-viver, precisamos de ideias para
nos reinventar e mentalizar um paraíso mais digno, conforme nossa
evolução.
O mundo pode ser modificado à medida que eu me modifico, que eu
vejo o de fora de uma nova maneira, à medida que encontro forças
para dar a ele uma nova moldura, uma nova pintura. Pinte o universo
exterior com cores vivas, com cores que emergem de sua vida, viva de
maneira renovada.
Uma vida renovada é uma vida que foi encontrada, é entrar em
contato com o mais profundo de si, com o próprio Deus. Nesse
sentido, Hannah Arendt escreveu: “o bem ao qual o amor aspira é a
vida, e o mal que o medo afasta é a morte. A vida feliz é a vida
que não pode ser perdida”5.
Muitos relatam essa experiência do reencontrar-se consigo, com
Deus. E neste momento descobrimos que o mundo não está contra mim,
mas fui capaz de reconciliá-lo, porque antes me encontrei comigo
mesmo. É a experiência que fez Agostinho de Hipona: “Tu me
chamaste, gritaste por mim, e venceste minha surdez. Brilhaste, e teu
esplendor afugentou minha cegueira. Exalaste teu perfume: respirei-o,
e suspiro por ti. Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti.
Tocaste-me, e o desejo de tua paz me inflama”6.
Há uma reconfiguração em todo nosso ser pessoa, distribuído
entre “espiritualidade, emoção e corpo”, tudo se integra e nos
leva a uma harmonia. E passamos a ver a importância que existe no
mundo que chamamos irracional ou “inconsciente”, no sentido de
percebermos que não somos apenas racionais, também há outras
várias dimensões em nós. É como disse Jung: “acho mais sábio
reconhecer conscientemente a ideia de Deus; caso contrário, outra
coisa fica em seu lugar, em geral uma coisa sem importância ou uma
asneira qualquer - invenções de consciências 'esclarecidas'”7.
____________________
1Graduado
em Informática – Universidade de Lins, graduado em Filosofia –
Centro Universitário Claretiano, graduado em Teologia – Faculdade
Dehoniana -, Pós-graduado em Filosofia Clínica – Instituto
Packter -, Pós-graduando em Psicologia/Sexualidade – Uniara.
2Mestre
em História Social – Universidade Federal de Uberlândia - UFU,
Especialista em Filosofia Clínica - Instituto Packter, Licenciada
em Filosofia – UFU. E-mail: vaniamor@hotmail.com.
3JUNG,
C.G. Psicologia do Inconsciente. Tradução: Maria Luiza
Appy. 3ªed. Vozes. Petrópolis, 1983, Prefácio do autor em relação
à 2ªed.
4C.G
JUNG, Psicologia do Inconsciente, 3ªed. Vozes, 1983, p. 39.
5ARENDT,
HANNAH. O Conceito de Amor em Santo Agostinho. Lisboa: Editora
Piaget, 1997. p. 19
6
AGOSTINHO. Confissões. XXVII. Tradução: Alex Marins. São
Paulo: Martin Claret, 2007.
7C.G
JUNG, Psicologia do Inconsciente, 3ªed. Vozes, 1983, p. 63.
Marcadores:
Espiritualidade,
inconsciente,
mundo,
pessoa,
ressignificar,
vida
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Repensar nossa história
Em um mundo tão
agitado, movido pelo imediatismo, nem sempre encontramos um tempo
para pensarmos sobre a nossa vida. São os afazeres, os compromissos,
as obrigações do cotidiano, que acabamos nos esquecendo de nós
mesmos, parece que estamos mais em torno de nossas ações do que de
nosso próprio ser.
Em muitos momentos é
preciso parar. Desacelerar esse processo no qual estamos inseridos e
perceber as pequenas coisas que nos são essenciais e que pela
agitação não conseguimos vislumbrar. É preciso ouvir a voz do
coração, e adentrar a uma nova ambiência, a da fé e da
espiritualidade.
Por meio da fé o ser
humano encontra uma nova forma de ler o mundo, cria uma boa relação
com Deus, com o próximo e com a natureza. A espiritualidade permite
tais pontes, ver a presença de Deus junto a nós, e perceber-nos
como pessoa, como Filho/a amado/a de Deus.
Jesus ao longo de seu
período histórico despertava naqueles que vinham até ele essa
necessidade da espiritualidade, de comunhão com o Pai. No diálogo
com a samaritana, ele diz: “Vem a hora, e é agora, na qual os
verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e verdade; tais
são, com efeito, os adoradores que o Pai procura” (Jo 4,23-24).
Certamente Deus deseja
isso para nós, que sejamos adoradores em espírito e em verdade. Que
O reconheçamos como aquele que em seu infinito amor deseja sempre a
nossa salvação, e ao mesmo tempo que olhemos sua obra criada, da
qual fazemos parte, e mais ainda, que somos chamados a sermos
responsáveis por ela. Essa é uma das melhores formas de se adorar,
reconhecer que o Pai enviou seu Filho Jesus Cristo para nos comunicar
seu amor, e que derramou seu Espírito para que caminhássemos na Sua
verdade.
Portanto, a experiência
com Deus, conduz-nos a nós mesmos, abre-nos a novos horizontes.
Além disso, fortalece-nos e ilumina-nos; ajuda-nos a
peneirar aquilo que é bom e aquilo que não é, otimizando em nós
não só o nosso pensar, mas também o nosso agir. Creia, o impossível
Ele pode realizar, mas deixe-se moldar por Ele!
Marcadores:
amor,
Deus,
Espiritualidade,
Responsabilidade
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Expressividade: encontrando a beleza do ser e do viver
Autores:
Jesus de Aguiar Silva1
Vânia Dantas2
Olhamos o mundo a nossa volta e
descobrimos que vivemos uma constantemente relação de
interdependência com tudo o que existe, e certamente percebemos que
nossas maiores intersecções se referem à vida humana. A influência
do outro em nossa vida, e também nossa influência naqueles que nos
são próximos permite-nos pensar: aonde está a essencialidade da
vida humana? Escondida em nosso ser ou desvelada? Por vezes,
mediante aos fardos que nos são impostos, permanecemos longe de
tudo, em nosso mais profundo interior, mas quando encontramos mãos
que nos acolhem, palavras que nos elevam, nosso coração entra em
consonância com a bondade emanada e então nos sentimos seguros, e
então somos capazes de armar nossa tenda e ali depositar tudo o que
trazemos em nossa bagagem.
Certamente buscamos um solo seguro,
para podermos firmar nossas raízes, e ali permitirmos que nossa
força vital – eros – aconteça de maneira a
nos fazer transcender, a nos elevar, a permitir que nosso intelecto
releve a nossa mais profunda condição: sermos humanos. Essa força
quando se estabelece é capaz de lançar fora tudo o que provém da
falsa ilusão da vida que nos leva a morte – thanatos –.
A expressividade consigo e para os outros alcança seu ápice quando
encontramos um recíproco doar-se. Quando há essa entrega no sentido
mais profundo de se visar o bem alheio, então contemplamos a
dignidade humana. Assim, enxergamos sem aprisionar, aprendemos a
proporcionar liberdade, conseguimos assistir ao espetáculo que é o
outro com suas escolhas e tormentos, nos quais nem sempre podemos
influir, pois cada um tem sua estrada. Conviver com o outro sem
torná-lo bode expiatório de todas as nossas mazelas é, sem dúvida,
o grande desafio para as relações.
O poeta Renato Russo tinha razão
quando escreveu em uma de suas canções: “Não quero lembrar, que
eu erro também”. O medo de se deparar com nossa realidade que
ainda não foi modificada causa-nos angústia. E assim, os seres
humanos, pela falta de coragem de se verem, acabam se acomodando, e
com medo de mudar suas realidades, preferem convencer que os outros e
o mundo estão errados, à iniciativa de sua própria mudança. De
novo, Renato: “Todos se afastam quando o mundo está errado/ quando
o que temos é um catálogo de erros/ quando precisamos de carinho,
força e cuidado.”
Encontrar a beleza de ser e de viver
talvez estejam no diálogo sincero consigo mesmo, ter a coragem de se
criticar, no intuito de buscar uma obra escondida tal qual faz o
artista. Essa atitude nos permite retirar nossos excessos como o que
é tirado da pedra bruta, e assim conseguimos olhar a nós e a
humanidade com um olhar mais estético, vendo a beleza escondida e
prefigurada na pessoa alheia.
Portanto, ser e viver conjugam-se à
medida que retiramos o medo e damos lugar à liberdade; a história é
o grande espaço onde temos a oportunidade de nos desvelarmos ou de
nos fecharmos. Ser humano é conscientizar-se de que a perfeição
não existe, o que há são esforços que fazemos mediante nossas
escolhas sobre aquilo que é bom mediante nossos juízos, mas
lembremo-nos de que o grande critério que deve nos nortear é a
vida, uma vez que o ser humano, por mais que não queira, está
fadado à morte, e o seu olhar sobre a vida é que dá sentido e
esperança à sua existência.
1Graduado
em Informática – Universidade de Lins, graduado em Filosofia –
Centro Universitário Claretiano, graduando em Teologia –
Faculdade Dehoniana -, pós-graduando em Filosofia Clínica –
Instituto Packter -.
2Mestre
em História Social – Universidade Federal de Uberlândia - UFU,
Especialista em Filosofia Clínica - Instituto Packter, Licenciada
em Filosofia – UFU. E-mail: vaniamor@hotmail.com.
Marcadores:
beleza,
eros,
erros,
esperança,
expressividade,
Filosofia Clínica,
medo,
ser,
vida,
viver
Assinar:
Postagens (Atom)

