domingo, 26 de setembro de 2010

A IGREJA E SUA MISSÃO


A Igreja ao longo dos séculos é transmissora da Palavra de Jesus Cristo, uma Palavra que ultrapassa os limites da razão, sem nos retirar da realidade, e insere no coração de cada homem e de cada mulher a “boa notícia”, capaz guiar e sustentar a humanidade, mesmo nos momentos mais adversos.

Neste mundo de hoje é crescente uma visão tecnicista, reducionista da pessoa humana, um pensamento utilitarista, em que o valor do ser humano está no que ele pode oferecer e não no que ele é (filho de Deus). A proposta da Igreja enquanto instituição mantenedora do depósito da fé, é de fazer ecoar no mundo as palavras do Cristo: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a todas as criaturas” (Mc 16,15).

Todo a humanidade está em busca da realização, da vida feliz, mas toda busca mal orientada tem o seu foco perdido, frustrado. É em Jesus de Nazaré que encontramos sentido para a nossa existência. O saudoso papa João Paulo II em sua Carta Encíclica “Fides et Ratio” parágrafo nº 99 escreve: “Na Igreja, o trabalho teológico está primariamente, a serviço do anúncio da fé e da catequese. O anúncio, ou querigma, chama à conversão, propondo a verdade de Cristo que tem o seu ponto culminante no Mistério Pascal: na verdade, só em Cristo é possível conhecer a plenitude da verdade que salva (cf.At 4,12; 1Tm 2,4-6)”.

O encontro com a pessoa de Jesus nos fascina, nos projeta, nos eleva. Nossa religião enquanto formadora e educadora, nos apresenta um Deus presente, mas ao mesmo tempo escondido dentro de nossos corações, não é um deus de fábulas ou de contos, mas ao contrário, um Deus uno e trino, que se revelou na história humana, por meio de seu Filho amado, Jesus, que nos apresentou o Pai e nos enviou o Espírito Santo. “Se me amais, observeis os meus mandamentos; quanto a mim, eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Paráclito, que permanecerá convosco para sempre” (Jo 14,15).

Nas palavras do teólogo galego Andrés Torres Queiruga, “a cruz não tem a última palavra, uma vez que desemboca na ressurreição”. Assim, os desafios e os limites da vida não possuem em si o definitivo, são apenas momentos pertencentes ao tempo, e tudo o que é temporal é passageiro. Durante a vida encontramos muitas dificuldades, passamos por situações de sofrimento, perda, medo, insegurança; tais acontecimentos são próprios de nossa fragilidade humana, mas quando estamos unidos a Deus, seja pela oração, pelos sacramentos, eis que o Espírito nos fortifica, nos forma, nos educa, nos conduz, e então somos capazes de enxergar as realidades de maneira nova, “é como está escrito: Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (I Cor 2,9).

Portanto, a Igreja para além de um lugar de oração é também lugar de formação, de missão, e quer ajudar os seres humanos a se descobrirem e a conhecerem o verdadeiro Deus, que “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” Jo 13,1.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A MISSÃO DO SER HUMANO: DESCOBRIR-SE

O ser humano é um ser inacabado, que mediante a própria existência vai se edificando, escreve sua própria história, e almeja por sua felicidade.

O pessoa humana é relacional, somos seres de relação, precisamos do outro (alteridade) na construção da nossa personalidade, mas não podemos permitir que nossa história seja apenas sobre outro, fazendo-nos perder a identidade, as vezes faz-se necessário tomar as rédeas da própria vida neste processo de descobrimento. Para o filósofo Sêneca, “é preciso atentar para não seguir tal como ovelha o rebanho à frente porque, não sabendo para onde ir, vai para onde as outras se dirigem. Realmente, nada mais pernicioso que se adequar à opinião pública, tendo por mais acertado o que é consensual. Como atestam numerosos exemplos, acontece findar vivendo não de acordo com a razão e, sim, imitando aos outros1.

Há em nós uma procura pela verdade, queremos ir além das nossas realidades, é um desejo. No pano de fundo, buscamos a vida e nos afastamos da morte. Em nosso cotidiano nos deparamos com situações que ora nos vivificam e ora nos matam. Segundo Hannah, “o bem ao qual o amor aspira é a vida, e o mal que o medo afasta é a morte. A vida feliz é a vida que não pode ser perdida2.

O Conhecer-se dá-se a partir do momento em que permitimos que o amor inunde a realidade do nosso ser, levando-nos a compreender o que somos em nossa singularidade e na compreensão do que o outro é, amando o ser humano em sua totalidade (limites e virtudes), essa aceitação torna-nos compreensíveis. Arendt diz que “o amor ao próximo é, pois a realização concreta da relação retrospectiva para além do mundo, e, ao mesmo tempo, empurra o outro para fora do mundo, para que ele veja o sentido do seu ser. Como sugere a identidade entre ser e ser eterno, ele ama o outro não como alguém que vai morrer (moriturus) mas ama nele aquilo que é eterno, a sua origem apropriada3.

Quando o amor vai se desvelando em nosso existir, eis que contemplamos o que somos na mais pura intimidade e interioridade, e somos conduzidos à verdade acerca de nós mesmos. Santo Agostinho assim descreve: “Talvez por amarem a verdade de tal modo que tudo de diferente que amam, querem que seja verdade, e, não admitindo ser enganados, também não querem ser convencidos de seu erro. Desse modo, detestam a verdade por amarem aquilo que tomam pela verdade”4.

Portanto, sejamos missionários a adentrarmos o mais profundo do nosso interior, para assim descobrirmos as insondáveis riquezas do nosso ser, encontraremos lá a força necessária para nortear nossa existência, levando-nos a reconciliar e unir, com o outro e com o mundo. Viver é descobrir-se.

1SÊNECA. A vida Feliz. Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal – 43. Tradução: Luiz Feracine. São Paulo: Editora Escala, 2006. p.32

2 ARENDT, HANNAH. O Conceito de Amor em Santo Agostinho. Lisboa: Editora Piaget, 1997. p. 19

3 Ibid., p.117

4SANTO AGOSTINHO. Confissões. Tradução: Alex Marins. São Paulo: Martin Claret. 2007. p.233

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A BÍBLIA E A HUMANIDADE


A Bíblia reúne histórias da vida do povo judeu, pessoas que viveram dificuldades, como nós, uma vez que viver implica em esbarrar-se nos limites que são próprios do humano. Quando nossa humanidade acolhe e ouve a voz de Deus, que ressoa em nosso íntimo, então somos capazes de viver como os profetas, que traduziram na vida o que acolheram em seus corações.

No Antigo Testamento temos a busca da terra, apoiados na certeza de uma promessa de Deus para o seu povo. Encontramos a sensibilidade de alguns que colaboraram com Deus, afim de promoverem a vida, de estar ao lado dos que mais necessitavam. Da mesma maneira, o mundo pós-moderno carece ser livre de uma escravidão secularista, neoliberal, individualista, que oprime a tantas pessoas, o que corrobora para a morte, esta é a realidade que enfrentamos hoje.

No Novo Testamento, a promessa que antes tivera sido anunciada ao longo do Antigo Testamento - que externava a libertação do povo -, se revela em Jesus de Nazaré. O que antes era Palavra, agora se torna carne, se torna pessoa como nós, exceto no pecado. Em Jesus encontramos a plenitude do amor. Um amor que foi capaz de vencer o mal e que desperta no coração dos seres humanos aquilo que eles ainda podem ser, quando abandonam o orgulho e se tornam obedientes ao cumprimento da verdadeira lei, uma lei que não está escrita em tábuas e nem em pedras, mas no coração, esta lei é o amor, que nos conduz a ter e a promover a vida em abundância. Quando entendemos e acolhemos o Reino de Deus, que nos fora relevado em Jesus de Nazaré, nossa vida é transfigurada e nos tornamos capazes - à luz de seus ensinamentos -, de iluminar toda a realidade humana. Nele conseguimos vencer o egoísmo, a indiferença, o desamor e principalmente a injustiça.

A Bíblia, ao logo do tempo, foi vista por muitas pessoas de maneira fundamentalista, ou seja, através de uma leitura “ao pé da letra”. Durante a história esse olhar errôneo causou um equívoco em relação a nossa imagem de Deus, tal consequência implicou num mal relacionamento entre Deus e a humanidade. Hoje, a Igreja com a ajuda das ciências humanas, de novos métodos de interpretação, colaboram na compreensão sobre quem é Deus e quem é o humano. Essa compreensão da identidade sobre quem é o homem e quem é Deus, restaura um relacionamento que foi desfigurado ao longo dos séculos, e recria a vida em nós e reergue um mundo novo.

Portanto, deixar-se mover por Deus através das Escrituras, contribui para o objetivo de todo ser humano, que é viver de maneira plena. Nele a humanidade é preenchida, encontra sentido e significado para sua existência, pois todo ser humano é vocacionado ao amor e fora do amor a realização é inexistente. Que escrevamos nossa história no amor e para o amor, tendo um estimado valor pela Bíblia, que nos ajuda na caminhada rumo a civilização do amor.


SOBRE A POLÍTICA

A política está presente dentro do contexto da formação da pólis, da sociedade, e possui uma dimensão organizacional, de buscar a ordem e o bem comum. Tem em sua essência a finalidade de propor um espaço melhor, onde os cidadãos possam viver bem.

A história da política vem de longa data, para Platão – filósofo grego, em sua obra “A República” – os que deveriam governar seriam os sábios, uma vez que estes abriam-se ao saber, sendo assim, a política deveria ser governada por alguns, uma vez que nem todos buscavam a verdade (através do bem, do belo e da justiça). Os sofistas, que tinham a arte de falar bem, cobravam para representar “seus clientes” ou para ensinar-lhes a arte da retórica, que consistia no convencimento sobre algo, por meio da contra-argumentação. Ao contrário, a filosofia platônica queria levar as pessoas a prática da justiça por meio da busca pela verdade, uma herança de seu mestre Sócrates, que dizia que os ignorantes não se conhecem, e por isso agem erroneamente.

Talvez o grande embate aqui esteja entre os objetivos: Para Platão e Aristóteles – a formação do homem consistia na busca pela verdade, pelo belo, pelo bem, pela justiça, pelos valores, por uma ética e moral para todos, apesar de se divergirem sobre alguns pensamentos. Os sofistas - pensavam que cada um deveria buscar a sua própria liberdade -. Para Protágoras, grande sofista, “o homem é a medida de todas as coisas”. Segundo JAEGER, “os sofistas são, com efeito, as individualidades mais representativas de uma época que na sua totalidade tende para o individualismo.”.1

Hannah Arendt, grande pensadora de nossa era contemporânea, ao falar de Aristóteles, citando um trecho do livro Ética a Nicômaco diz: “Ninguém escolheria viver sem amigos, ainda que possuísse todos os outros bens”.2Para Aristóteles, a amizade é mais elevada que a justiça, porque esta já não é necessária entre amigos”.3 Pensava ARENDT, que “esse tipo de compreensão – ver o mundo (como dizemos hoje corriqueiramente), do ponto de vista do outro – é uma percepção política por excelência.4

Conscientizar a humanidade, é o início para uma boa política, a política é positiva, quando há pessoas comprometidas, assim é capaz de produzir bons frutos para a sociedade, é por meio dela que conseguimos modificar nossas realidades. Se faz necessário em nossos dias um despertar para o “pensar”, pois nossa humanidade move-se através do “fazer sem pensar”, e isso implica em muitas consequências que são prejudiciais a todos nós.

A aprovação do projeto “ficha limpa”, foi uma demonstração de que quando pensamos juntos (revendo nossa realidade e fazendo uma crítica a ela), então agimos de maneira correta em vista do bem comum, no intuito de esperarmos candidatos que ao menos se preocupem com o povo e assim colaborem com nossas cidades, estados e com o nosso país.

Portanto, exercitar a arte do pensar-(ser), gera em nós mais do que um crescimento intelectual, pois ajuda-nos a viver um processo de alteridade, interação social, contribuindo para uma política onde todos sejam beneficiados e por uma sociedade mais responsável com o meio.

1JAEGER, Werner Wilhelm. Paidéia: A formação do homem grego. Tradução: Artur M.Parreira. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p.347.

2ARENDT, Hannah. A Promessa da Política. Tradução: Pedro Jorgense Jr. Rio de Janeiro: Difel, 2008. p.59

3Ibidem, p.59

4Ibidem, p.60

quarta-feira, 28 de julho de 2010

DESCOBRINDO-SE ENQUANTO PESSOA NA RELIGIÃO



A descoberta de si nem sempre é algo fácil, exige esforço da parte de quem a procura, caminho muitas vezes difícil que implica dor, sofrimento para se chegar à descoberta que traz felicidade, alegria, realização. Por isso, “o amor só é amor se já provou alguma dor” já dizia Pe.Fábio de Melo em uma de suas canções.
Cristo para levar a cada um de nós a descoberta do amor que anunciara, sofreu em nosso lugar, “tendo Ele amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” Jo 13,1. A grande descoberta que nos é necessária é a de nos descobrirmos enquanto pessoas, pessoas que tem amor dentro de si, que possuem potencial para amar e também para receber amor.
Tudo o que fazemos na vida se não tiver em vista o amor, deixa de ser essência e se torna apenas aparência, representação. Paulo relata uma experiência profunda deste amor que experienciou em Cristo, “por amor a ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro” Rm 8,36. O amor exige luta, implica em rompimento com o efêmero, é vivencia que trás vida e que exclui o medo.
No livro do Gênesis encontramos uma citação onde diz “ambos estavam nus, o homem e sua mulher estavam nus, sem sentirem vergonha um do outro” Gn 2,23-25. Estavam livres, havia sinceridade entre eles, havia amor, havia unidade. Quando comem o fruto proibido, Adão tem medo de se mostrar a Deus em virtude de sua decisão que foi feita na escuridão, feita as escondidas, sem consultar a Deus que sempre se manifestou sincero a ele.
No mesmo livro encontramos Adão dizendo: “Ouvi a tua voz no meio do jardim, tive medo porque estava nu, e me escondi” Gn 3,10. A nudez não é o problema, mas o medo que é provocado quando não agimos com sinceridade em relação ao outro, no caso aqui Adão em relação a Deus.
Durante muito tempo carregamos uma ideia errônea de que Deus nos castiga, que Ele nos condena, que Ele nos persegue, que está disposto a nos condenar sempre pelos nossos desacertos. Na verdade as culpas que carregamos em virtude de acontecimentos conscientes ou não, nos fragilizam, e como não queremos assumir, “aceitar” tais ocorridos, nos responsabilizar pela nossa vida, projetamos em Deus o papel do juiz castigador, quando na verdade o que ocorre é que não nos aceitamos, pois não somos sinceros – não ficamos nus – diante de nós mesmos, e então sofremos.
Aqui entra o papel da religião, de apresentar Deus de fato como Ele é – amor -, um Deus solidário, que sempre está disposto a se reconciliar com o ser humano. Em Lc 19,9 Jesus diz a Zaqueu: “hoje a salvação entrou em sua casa”. Em Lc 7,47 Jesus diz a pecadora “teus inúmeros pecados te são perdoados, porque tem demonstrado muito amor”.
Jesus é apresentado pelos evangelistas como subversivo em relação aos doutos e sábios da época, é contrário a toda hipocrisia que a religião da época - atrelada a sistema econômico -, que oprimia e excluía os menos favorecidos. Jesus entra neste contexto e retira os fardos que colocaram sobre estas pessoas, faz reviver naqueles que encontra a vida que estava sufocada por um sistema que matava. E diz em um de seus diálogos proclama: “Em verdade vos digo, os coletores de impostos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus” Mt 21,31, e o Reino de Deus consiste em justiça, amor, paz, fraternidade. Não é que Jesus faz apologia ao pecado, mas vai ao encontro do pecador que necessita do amor, pelo amor é que ocorre a conversão, e somente pelo amor que é possível dar sentido a existência humana.
Portanto, o descobrimento de si e o contato com a religião tende a nos levar a uma sinceridade conosco, com o próximo e com Deus, caso contrário viveremos presos a efemeridades e aparências, que não colaboram para o descobrimento de nossa essencialidade, mas apenas nos aprisiona, nas palavras de Paulo “a letra mata, mas o Espírito vivifica” II Cor 3,6. É momento de repensarmos nossa história, e dar espaço para que o amor encontre em nós o seu lugar. É tempo de reviver, tempo de amar.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A FACE DE DEUS NA HUMANIDADE



Deus que é pai criou-nos em seu amor para o amor, e não deseja outra coisa que não seja nossa felicidade e nossa realização.
Deus derramou a priori sobre a humanidade sua graça, fomos criados na graça de Deus, em harmonia com Ele. Como pai, desejou ardentemente em seu coração que o ser humano vivesse com Ele (em comunhão) e não distante dele.
Mas infelizmente o ser humano preferiu o poder ao amor, quis caminhar sozinho por meio de suas escolhas, de sua liberdade, achou que era capaz de dar passos sem necessitar daquele que o havia criado com tanto amor. Essa opção gerou para nossa humanidade aquilo que chamamos de pecado original, que consiste no distanciamento do Pai e de seu projeto de amor, e distante do Criador, a humanidade sofre o caos provocado por suas próprias escolhas.
O interessante é que não é Deus que se aparta de nós, mas em nossa livre escolha, preferimos escolher por certos caminhos, e nestas escolhas sofremos, porque não queremos ouvir aquele que é amor pleno, optamos em nos deixar conduzir pelo orgulho e pela auto-suficiência.
Estas escolhas implicam diretamente no poder, poder no sentido de não querer precisar do Criador, que leva-nos a perder-nos no tempo, na vida, na história. Querer caminhar longe do amor leva-nos a vivenciar o desamor, o não amor. E não há vida fora do amor. A morte (corpo – emoção – espiritual) vai aos poucos ocorrendo em virtude da sede e da fome que o ser humano tem do amor, mas que rejeitando a ajuda daquele que é pai, leva-o a um processo de esfacelamento do ser, perda de sentido e de significado no tempo. Longe do amor só temos a perder.
Existe tanta fome no mundo, tanta injustiça, tanto ódio, tantas pessoas morrendo às margens da sociedade, e a explicação que encontramos diante de tais fatos apontam para uma carência que o ser humano possui do amor. Nascemos do amor e para o amor, a não vivência deste amor, distancia o homem dos valores axiológicos que estão presentes em seu coração, fecha-o a voz de Deus, e assim as leis que não estão em tábuas ou em pedras, mas escritas no coração, deixam de ser seguidas.
A revelação de Jesus na história foi à própria manifestação do amor do Pai a cada um de nós, Jesus se fez um de nós a fim de assumir nossa condição humana, exceto no pecado (falta de amor – não escuta do Pai), mesmo diante das dificuldades que a vida impõe a cada um de nós, não se deixou conduzir pelo poder dos homens, mas pelo amor e pela misericórdia, foi capaz de superar a maldade dos homens, que tem seu fundamento no poder, na ambição, no egoísmo.
Jesus foi um homem tão humano e ao mesmo tempo tão divino. Esteve ao lado daqueles que mais necessitavam de seu amor, esteve com os pecadores, com os excluídos, com as mulheres que na época eram excluídas, com o cobrador de impostos, com os fariseus. Ele foi à luz que clareou a escuridão que a própria humanidade causou quando escolheu viver longe do amor de Deus, vida dos seres humanos. As sombras foram vencidas por Jesus de Nazaré. Um amor tão profundo do Pai pela humanidade, que o próprio Filho em unidade com o Pai nos revelou em amor e por amor, um amor iluminador que reluziu em toda pessoa humana, assim pra sempre a história foi perpassada pela manifestação do sagrado. Infelizmente, Jesus foi rejeitado por aqueles que não aceitaram sua luz, e então pela maldade dos homens, presos ao poder e as leis (perpassadas por interesses egoístas), levaram a cruz o Senhor da vida, mataram assim a lei maior, o próprio amor encarnado.
Mas Jesus foi capaz de vencer a maldade dos homens, foi vitorioso, por meio de sua encarnação, os corações foram verdadeiramente despertos do sono letárgico que a humanidade havia adentrado, e por ele um novo caminho a humanidade conheceu. O próprio amor divino relevado aos homens (em profunda oração e unidade com o Pai) foi traduzido em gestos concretos, instaurou o Reino de Deus, que consiste no amor e no serviço.
A cruz não foi o fim, não foi o definitivo, mas por meio dela Jesus conquistou a liberdade e o amor para toda humanidade (estabeleceu a aliança que havíamos perdido com o Pai), sendo Ele inocente, se solidarizou conosco. Assim, o crucificado é o ressuscitado, exaltado pelo Pai, ele é o amor pleno, a salvação da humanidade. Ele é o próprio amor, e somos convidados a seguí-lo. Jesus demonstrou ao ser humano que este também é capaz de superar o mal, a medida que configura seu coração ao dele, e esta configuração leva a atitudes traduzidas na própria vida.
Portanto, permitamos que o Verbo que se fez carne adentre nosso coração, a Palavra quando lida, meditada e encarnada é capaz de nos tornar novos seres humanos, não mais conduzidos pelo poder dos homens, mas pelo amor do Pai, que se manifesta em nós por meio da ação do Espírito Santo. Todos os que se deixam conduzir pelo amor do Pai e do Filho por meio do Espírito Santo se tornam homens novos, mulheres novas. Conduzidos por tal amor somos capazes de cotidianamente superar o mal, de vencer as desigualdades sociais, de vencer as crises contemporâneas que enfrentamos e assim ver a face de Deus na humanidade, não uma face esfacelada pela maldade dos homens, mas uma face gloriosa ressurgida por meio daqueles que ouvem a voz de Deus e que por ela se deixam conduzir, assim que o amor seja nossa única lei, que substituamos o poder pelo amor, a mentira pela verdade e o medo pela liberdade que brota da fé no Cristo
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sexta-feira, 2 de julho de 2010

COPA 2010 – BRASIL CAMPEÃO - SOBRE GANHAR E PERDER


A vida é feita de uma luta constante, e a cada momento enfrentamos novos desafios, e neste enfrentamento nem sempre saímos vitoriosos, ora vencemos e ora perdemos.

Durante a nossa história talvez fomos “mal educados” ou nos passaram a ilusão de que sempre precisaríamos vencer, assim fomos sufocando uma outra dimensão da vida que é que a perda, que nem sempre é perda mesmo. Uma árvore que cresceu, um dia foi uma semente, que precisou “perder-se” para se transformar em árvore.

A vida também é assim, aparentemente uma vitória talvez é a coisa mais almejada, desejada, mas a derrota nem sempre é por nós pensada, mas a partir da realidade que ela nos trás, quando tomamos consciência que as coisas não saíram como imaginamos, então vamos descobrindo o seu valor. Imaginemos as tantas quedas que tivemos na vida enquanto bebês ou as quedas de bicicleta, quando aprendíamos a andar, não eram quedas desejadas, porém nos levaram a uma experiência positiva que hoje podemos contemplar.

Nossa seleção brasileira, juntamente com seu treinador Dunga e seus jogadores, também acabam de passar por isto, lutaram, jogavam, tentaram, mas infelizmente as coisas não saíram como o sonhado. O que temos agora é a insatisfação de um público que foi influenciado por tantas propagandas, que nos induziam a pensar que a vitória já era nossa. Enquanto o time ia bem, havia apoio, existia garra, depois que foi desclassificado, parece permanecer um sentimento de abandono. Antes do jogo, muitos torcedores, após a derrota, ninguém para consolar. Nossa vida não é muito diferente desse acontecimento, enquanto ganhamos, apoiamos e quando nos vem o fracasso, então desistimos.
Portanto, saibamos refletir melhor sobre os acontecimentos, nem sempre a derrota é derrota, mas pode se tornar vitoriosa quando valorizamos os esforços que ocorreram durante o processo da competição. E ganhar nem sempre é ganhar, por vezes valorizamos o que foi conquistado, mas não nos atentamos a perceber o empenho que houve para se chegar a vitória. Assim, se valorizarmos em nosso cotidiano as pequenas tentativas de sermos melhores, no sentido de compreender os esforços que fazemos cotidianamente, aprenderemos a descobrir e valorizar os ganhos e as perdas, e então nos tornaremos justos diante da vida e das pessoas que nos cercam, caminhando desta maneira, caminhamos na compreensão do amor que sustenta nossa existência humana.

Parabéns Dunga, parabéns seleção brasileira.