Mostrando postagens com marcador verdade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador verdade. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ano Novo, configuração do nosso coração ao coração de Cristo!

O ano de 2010 rapidamente vai ficando para traz, e adentramos num novo ano, mas para além de uma cronologia, é tempo de renovarmos nosso ser, retirar aquilo que de fato foi encrostado no decorrer da história, e abrirmo-nos a um tempo novo, um tempo de graça que provém do Cristo.

O novo sempre nos revela, traz à luz aquilo que até então estava escondido, e que agora nos é desvelado. Em sua recente Exortação Apostólica Pós-Sinodal (Verbum Domini), § 14, o papa Bento XVI, citando São João da Cruz diz: “Ao dar-nos, como nos deu, o seu Filho, que é sua Palavra – e não tem outra – Deus disse-nos tudo ao mesmo tempo e de uma só vez nesta Palavra única e já nada mais tem pra dizer […]. Porque o que antes disse parcialmente pelos profetas, revelou-o totalmente, dando-nos o Todo que é seu Filho”.

Somos convidados a acolher esta boa nova, tendemos ao saber, e em Jesus temos uma vida nova e realmente transformada, aprendemos a compreender que o prazer e as efemeridades deste tempo não são sinônimos à felicidade, e que a felicidade passa pela Cruz, afim de se atingir a plenitude – Ressurreição -. Hannah Arendt em seu livro - A Condição Humana - escreve: “[...] quem deseje fazer do prazer o fim último de toda ação humana, é levado a admitir que não o prazer, mas a dor, não o desejo, mas o medo, são os seus verdadeiros guias”. Em sua Carta Encíclica João Paulo II nos exorta:Na contraposição paulina do “espírito” e da “carne” encontra-se inscrita também a contraposição da “vida” à “morte”. Trata-se de um grave problema acerca do qual é necessário dizer, de imediato, que o materialismo, como sistema de pensamento, em todas as suas versões, significa a aceitação da morte como um termo definitivo da existência humana” Dominum et Vivificantem § 57.

Faz-se necessário em nossos dias um revisar da consciência, um voltar-se as origens, para que o homem redescubra o sentido de sua existência. “Somente o Espírito Santo pode convencer do pecado dos primórdios do ser humano, exatamente ele que é o Amor do Pai e do Filho, ele que é Dom, enquanto o pecado do princípio humano consiste na mentira e na recusa do Dom e do Amor, os quais decidem do princípio do mundo e do homem” Dominum et Vivificantem § 35.

Portanto, neste novo ano que vamos adentrando, saibamos acolher esta grande novidade tão antiga e tão nova, o próprio Cristo, e com Ele saibamos construir uma vida edificada na verdade que nos é revelada pelo Espírito Santo, e que sejamos solidários e promotores de um mundo novo, onde reine a justiça, a paz e o amor.



Feliz Ano Novo !

terça-feira, 7 de setembro de 2010

SOBRE A POLÍTICA

A política está presente dentro do contexto da formação da pólis, da sociedade, e possui uma dimensão organizacional, de buscar a ordem e o bem comum. Tem em sua essência a finalidade de propor um espaço melhor, onde os cidadãos possam viver bem.

A história da política vem de longa data, para Platão – filósofo grego, em sua obra “A República” – os que deveriam governar seriam os sábios, uma vez que estes abriam-se ao saber, sendo assim, a política deveria ser governada por alguns, uma vez que nem todos buscavam a verdade (através do bem, do belo e da justiça). Os sofistas, que tinham a arte de falar bem, cobravam para representar “seus clientes” ou para ensinar-lhes a arte da retórica, que consistia no convencimento sobre algo, por meio da contra-argumentação. Ao contrário, a filosofia platônica queria levar as pessoas a prática da justiça por meio da busca pela verdade, uma herança de seu mestre Sócrates, que dizia que os ignorantes não se conhecem, e por isso agem erroneamente.

Talvez o grande embate aqui esteja entre os objetivos: Para Platão e Aristóteles – a formação do homem consistia na busca pela verdade, pelo belo, pelo bem, pela justiça, pelos valores, por uma ética e moral para todos, apesar de se divergirem sobre alguns pensamentos. Os sofistas - pensavam que cada um deveria buscar a sua própria liberdade -. Para Protágoras, grande sofista, “o homem é a medida de todas as coisas”. Segundo JAEGER, “os sofistas são, com efeito, as individualidades mais representativas de uma época que na sua totalidade tende para o individualismo.”.1

Hannah Arendt, grande pensadora de nossa era contemporânea, ao falar de Aristóteles, citando um trecho do livro Ética a Nicômaco diz: “Ninguém escolheria viver sem amigos, ainda que possuísse todos os outros bens”.2Para Aristóteles, a amizade é mais elevada que a justiça, porque esta já não é necessária entre amigos”.3 Pensava ARENDT, que “esse tipo de compreensão – ver o mundo (como dizemos hoje corriqueiramente), do ponto de vista do outro – é uma percepção política por excelência.4

Conscientizar a humanidade, é o início para uma boa política, a política é positiva, quando há pessoas comprometidas, assim é capaz de produzir bons frutos para a sociedade, é por meio dela que conseguimos modificar nossas realidades. Se faz necessário em nossos dias um despertar para o “pensar”, pois nossa humanidade move-se através do “fazer sem pensar”, e isso implica em muitas consequências que são prejudiciais a todos nós.

A aprovação do projeto “ficha limpa”, foi uma demonstração de que quando pensamos juntos (revendo nossa realidade e fazendo uma crítica a ela), então agimos de maneira correta em vista do bem comum, no intuito de esperarmos candidatos que ao menos se preocupem com o povo e assim colaborem com nossas cidades, estados e com o nosso país.

Portanto, exercitar a arte do pensar-(ser), gera em nós mais do que um crescimento intelectual, pois ajuda-nos a viver um processo de alteridade, interação social, contribuindo para uma política onde todos sejam beneficiados e por uma sociedade mais responsável com o meio.

1JAEGER, Werner Wilhelm. Paidéia: A formação do homem grego. Tradução: Artur M.Parreira. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p.347.

2ARENDT, Hannah. A Promessa da Política. Tradução: Pedro Jorgense Jr. Rio de Janeiro: Difel, 2008. p.59

3Ibidem, p.59

4Ibidem, p.60