Este blog tem como objetivo levar o leitor a uma reflexão mais ampla sobre si e sobre o mundo, ajudando na amplitude da dimensão do ser e do viver.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Repensar nossa história
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Expressividade: encontrando a beleza do ser e do viver
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
A Porta da fé – (2012 - 2013) Ano da Fé -
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
“CONVERTEI-VOS E CREDE NO EVANGELHO” Mc 1,15
A proposta apresentada por Jesus consiste em dois momentos fortes, o primeiro a mudança de pensamento – metanóia –, e o segundo crer em sua Palavra.
Diante do aspecto da transformação, que nominamos de arrependimento e conversão, é nos feito um convite de mudarmos nossas atitudes, nossa maneira de proceder, e para além de tal mudança somos convidados a aderir a uma nova forma de viver – reconfigurar nossa vontade à de Cristo -, seguindo por outro caminho, este caminho é o caminho do Senhor (anunciado por João Batista), é o projeto do Reino de Deus, que se traduz em justiça, solidariedade e amor. Esse novo estilo de vida foi vivenciado pela comunidade dos discípulos de Jesus, por Paulo e pelos seguidores de Cristo. Podemos traduzir essa nova maneira de viver em Cristo como vida no Espírito. Paulo mediante seu processo de adesão à Cristo compreende que “foi ele quem nos tornou aptos para sermos ministros de uma Aliança nova, não da letra, e sim do Espírito, pois a letra mata, mas o Espírito comunica a vida” (I Cor 3,6).
Jesus rompe com um sistema baseado em leis que apenas impunha fardos pesados sobre os mais fracos, “o ladrão vem só para roubar, matar e destruir. Eu vim para que todos tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Foi subversivo às leis da religião de sua época e propôs um novo modelo de convivência, no qual a vida está acima de toda lei, pois o seu fundamento consiste exclusivamente no Amor (auto-oblação / kénosis). Para demonstrar tal atitude de Jesus vemos a cura do homem com a mão atrofiada em dia de sábado. “É permitido, no sábado, fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou matar? Eles porém, se calavam” (Mc 3,4). E ainda no capítulo anterior outra boa nova: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado; de modo que o Filho do Homem é senhor até do sábado” (Mc 2,27-28).
Baseado no anúncio e nos feitos de Jesus, o nosso acreditar neste Deus da vida e da esperança é que fortalece a nossa caminhada enquanto peregrinos neste mundo. “Por conseguinte, só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquirir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem a sua origem em Deus” (Porta Fidei 7).
Assim, crer é sustentar algo em nós, e a fé que é dom de Deus, é uma estrada segura, e quando seguida é então capaz de conduzir o ser humano para além das intempéries deste mundo e transformar as realidades humanas. Quantas situações que nos aflige em nossa hodiernidade? As drogas, o consumismo, o hedonismo, o individualismo, o indiferentismo, o nihilismo, etc. “É a fé que permite reconhecer Cristo, e é o seu próprio amor que impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida. Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no mundo, aguardando «novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça» (2 Ped 3, 13; cf. Ap 21, 1)” (Porta Fidei 14).
Portanto, permitamo-nos ser ressignificados pelo Senhor, que seus ensinamentos e gestos nos motivem a crer em sua Palavra, que nos liberta de todas as realidades, ele foi quem pelo seu processo de entrega total “nos amou até o fim” (Jo 13,1), fazendo-nos compreender que a última palavra não é a morte ou o mal, mas o amor.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
SOLENIDADE DE SANTA MARIA, MÃE DE DEUS

Na Constituição Dogmática Lumen Gentium, sobre a Igreja, no capítulo VIII, o Concílio Vaticano II declarou: “Efetivamente, a Virgem Maria, que na anunciação do Anjo recebeu o Verbo no coração e no seio, e deu ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus Redentor. Remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho, e unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a excelsa missão e dignidade de Mãe de Deus Filho; é, por isso, filha predileta do Pai e templo do Espírito Santo, e, por este insigne dom da graça, leva vantagem à todas as demais criaturas do céu e da terra. Está, porém, associada, na descendência de Adão, a todos os homens necessitados de salvação; melhor, «é verdadeiramente Mãe dos membros (de Cristo)..., porque cooperou com o seu amor para que na Igreja nascessem os fiéis, membros daquela cabeça». É, por esta razão, saudada como membro eminente e inteiramente singular da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade; e a Igreja católica, ensinada pelo Espírito Santo, consagra-lhe, como a mãe amantíssima, filial afeto de piedade” (LG 53).
É interessante observarmos que em Maria há um esvaziamento, da mesma maneira que vemos na pessoa do Filho (kenosis). Se com Adão/Eva tivemos um fechamento baseado no “orgulho e na desobediência” (Cf. Gn 3), em Jesus/Maria temos um novo tempo inaugurado, o tempo de restauração da “imagem e semelhança de Deus”, desfigurada pelo pecado, é Jesus com sua humildade, fidelidade, obediência e auto-oblação que sintetiza o que escreveu o evangelista João “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1), reconciliou o mundo com o Pai, “pois era Deus que em Cristo reconciliava o mundo consigo, não imputando aos homens suas faltas e pondo em nós a palavra da reconciliação” (II Cor 5,19). Foi nessa força do amor que Maria também acreditou e colaborou desde a anunciação para a obra da Salvação.
Portanto, como ela também somos convidados a ouvirmos a Palavra, não a palavra que nos mata, que nos leva a decadência, mas a Palavra que nos salva, liberta e nos eleva, que é o próprio Jesus, Filho de Deus, tudo converge para ele. Maria só é mãe de Deus por meio do Filho, isso implica dizer que tudo nela é cristocêntrico. Assim, como Maria acolheu a Palavra, também saibamos acolhê-la, afim de que a graça de Deus também nos eleve, porque “não há temor no amor: ao contrário: o perfeito amor lança fora todo o temor” (I Jo 4,18), permitamo-nos ser elevamos por tal força, através de nosso pensar (ortodoxia) e agir (ortopraxis), e que todo o nosso ser também proclame: “agiu com a força de seu braço, dispersou os homens de coração orgulhoso. Depôs poderosos de seus tronos, e a humildes exaltou” (Lc 1,51-52). Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós!
sábado, 24 de dezembro de 2011
domingo, 30 de outubro de 2011
A importância da meditação

O silêncio é o caminho para ouvirmos e entendermos algo. Nosso existir em Deus tem “peso imenso e eterno” II cor 4,17.
A Palavra que Deus nos dirige tem como lugar de acolhimento o nosso coração. Para que possamos contemplá-la, precisamos nos esvaziar de nossa vontade autônoma e nos dirigirmos ao encontro da profundeza do amor de Deus, que sempre age desinteressadamente.
Neste contexto, Deus acolhe nosso vazio e o preenche com sua própria dádiva, seu amor. Em nosso abandono, nos deparamos com Jesus Cristo, que é Palavra definitiva de Deus. Neste meditar utilizamos de nossos sentidos e imaginação, expressando nosso crer e assim abrindo-nos para o divino.
No Mistério Pascal (paixão, morte e ressurreição), vemos em Jesus esta pessoa incomparável – Homem e Deus ao mesmo tempo -, que é sempre uno e indivisível. Nas Bem-Aventuranças, iluminou seus discípulos de maneira definitiva, correspondendo a eles em seus anseios mais profundos conforme a Antiga Aliança anunciava “os pobres de Javé”.
Na Cruz, expressou a extrema pobreza de espírito, mas por ele fomos convidados a não pararmos na cruz, mas a olharmos o amor supremo consumado, nele recebemos a “Revelação”, o “bem aventurado”.
A bem aventurança de Jesus tem seu ápice em seu aniquilar-se, tornando-se dessa forma, espaço vital em prol de todos os homens. Esse era o seu modo de pensar.
Portanto, Cristo assim exprimiu o ideal a ser seguido, o ideal que ele mesmo é, e o ideal que Deus é como Uno e Trino. Dessa maneira, que através da meditação saibamos nos abandonar e encontrar a Cristo que nos conduz ao Pai.
Reflexão feita a partir do livro:
BALTHASAR, Hans Urs Von. Meditar como cristãos. Tradução: Pe. Clóvis Bovo, C.Ss.R. Aparecida-SP: Santuário. p.18-29.
Um bom livro para quem quer se aprofundar na meditação (oração).

