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terça-feira, 4 de maio de 2010

SOBRE ADENTRAR A VIDA DE ALGUÉM E DEPOIS PERMANECER



A realidade humana é muito profunda, as vezes não conseguimos alcançá-la, facilmente vivemos distantes dela, e é daí que provém o motivo de tantas incompreensões.

Quando adentramos a vida de alguém, a priori procuramos demonstrar aquilo que “temos de bom”, procuramos impressionar, fazer com que as pessoas se encantem por nós, queremos ser aceitos, compreendidos, amados.

Depois que o relacionamento se solidifica, então todo aquele esforço que fizemos para esconder os nossos limites – aquilo que não temos de tão bom assim –, começa vir à tona, e então sentimos um grande medo, melhor dizendo, entramos numa batalha interior, em que não sabemos se aquele vínculo que criamos inicialmente vai continuar a perdurar ou se as pessoas deixarão de “nos querer” pelo fato de terem descoberto uma outra parte em nós que havíamos escondido.

A vida relacional se resume assim, somos seres de relacionamentos, a todo momento nos relacionamos, somos filhos, somos amigos, somos namorados, somos esposos. A vida é feita de vínculos. Descobrir a grandeza de se viver é não ter medo de se mostrar do jeito que se é, os verdadeiros relacionamentos são aqueles em que somos aceitos em nossa totalidade – com nossas virtudes e também com nossos limites –.

Portanto, eis aqui uma reflexão que precisamos constantemente mergulhar, tanto na aceitação do outro, como na aceitação de si, pois amamos sinceramente quando não diluímos a vida em elementos bons e ruins, mas aprendemos a acolher o ser humano em seu todo, que implica finitude, incompletude, e ser inacabado. Assim, reconhecendo o que somos, nos tornamos mais leves e também retiramos os fardos que colocamos sobre os outros e sobre nós mesmos. Torne-se livre.